amor_platônico

Nunca questione um sentimento nem duvide da dor do alheio.

Jamais interrogue se a ternura é real nem balanceie o coração de alguém.

Em hipótese alguma zombe daquele que, em tempos de amargura,
te amparou e enxugou suas lágrimas.

Pois é do amor que se espera a emoção e a solução
e da amizade que se espera a compreensão e a confiança.

E é da desilusão que surge o platonismo
e das verdades que surge o concreto.

Eu sei o que sinto por você.

Já tive dúvidas, que não eram tão minhas, confesso…

E apesar de tudo é singular e verdadeiro o meu amor.

Contudo o seu sentimento é a grande distância que nos separará pra sempre. 

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Dívidas

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Ela deveria ter ido embora quando teve chance. E quando foi isso mesmo? Foi no tempo em que a chance falava mais alto e a vontade chamava. A oportunidade estava lá, mas a ocasião perdeu pro destino.
Ela deveria ter gritado e exposto tudo pra fora bem antes, há muito tempo atrás. Quem sabe agora teria mais respeito e aceitação.
Ela deveria ter sido rebelde e fria, assim agora não teria que se desprender e fazer os outros se arrebatarem de uma imagem torta que desenharam dela.
Ela deveria nunca ter exigido além do que podia de si mesma, assim os outros não exigiriam bem mais do que estabelecem hoje.
Ela deveria ter gritado quando sentiu vontade e chorado sem se preocupar com o que fossem pensar, assim não sentiria tantas dores reflexas disso tudo.
Ela deveria, depois disso tudo, ter ido embora pra sempre quando teve chance, mas agora a chance já não era mais acaso. Era vontade, definhamento, decesso, escuridão, fenecimento, desaparecimento…
Ela deveria ter dito isso pra alguém, mas não teve coragem. Nem de ter ido nem de ter falado.
Ela deveria sim ter falado, mas teve certeza que ninguém entenderia.
Ela deveria não ter devido tanto pra si mesma.
E desse débito todo só restou amor vindo de algum lugar que deve tê-la salvo de todas estas dívidas.

solidao

Não, não julgue meu coração. Ele não era assim. Dramático, realista, sofrível…ele só anda quieto, carente e triste. Pois tem dias que um olhar te despreza, uma palavra te fere, uma frase machuca e sentimento te atormenta. 

O doce fica amargo na boca, nada tem sentido, tudo se devora e te devora. Você sempre acha que é forte, cresceu ouvindo isso da sua avó que sempre dizia que você era mais, que podia ir além e que tudo passa. Mas tem horas que bate um lead jornalístico dentro de você: “O quê” e/ou “Quem?”, “Quando?”, “Onde?”, “Como?”, e “Por quê?” com algumas outras perguntas que vão só complicar. 

Não, não julgue minhas perguntas. Elas só querem mascarar o que anda me machucando e eu não posso fingir que não está. Desculpe vó, eu não sou tão forte quanto você achava e já pensei sim em desistir. Eu sofro calada no meio da madrugada pra não incomodar ninguém com meu choro discreto.  Há dias que me sinto só na multidão. Que sinto não ser uma expectativa, não ser o que quero ser e o que querem que eu seja, não conseguir expressar o que quero, não criar, não ser eu. Ser uma estranha e chata num mundo legal. Ser nada num todo. Ser um daqueles poemas realistas de Antero de Quental onde “sempre o mal pior é ter nascido.”

Sim eu sei o que você está pensando, mas não julgue minhas sensações e ações. Eu sei que parece fácil desistir e se entregar, mas não é. É muito mais difícil. 
Nada é fácil e a vida é um porre de questionamentos que muitas vezes não tem respostas ou muitas vezes a resposta é pior do que não ter resposta e o resultado é tudo isso que escrevi – aflições que só te fazem querer desistir…

 

Vida que segue

Ela entrou dentro de min’alma e me desenhou. A “minha Clarice” – Francine Estevão:

Sobre o Nada

vidaquesegueSaiu cedo de casa. Teve insônia a noite toda e já não aguentava mais ficar na cama. Eram 6h45. Muito cedo se considerasse que não tinha absolutamente nada para fazer o dia todo. Normalmente, neste horário, ela já começava a se preparar para enfrentar o trânsito da cidade grande rumo ao escritório onde trabalhava. Mas dois dias antes, tiraram dela a rotina.

No primeiro dia depois de ser dispensada – sem nenhum motivo aparente –, ficou completamente perdida. Havia passado a noite bebendo com os amigos que a levaram para distrair e chorar as mágoas (leia-se xingar os ex-patrões e alguns dos ex-colegas de trabalho até não se lembrar de nenhum palavrão que ainda não tivesse usado). Acordou assustada, às 11h30 do dia seguinte, com o telefone tocando. Não conseguiu atender. A cabeça doía e o corpo não saia do lugar. Mas deu um pulo, involuntário, quando viu o horário…

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Sobre o nada

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Nada parou para que o que estivesse quebrado colasse. Nada desandou para que o que estava em inércia andasse. Nada foi iluminado para o que estivesse na escuridão visse a luz. Nada procurou quem estava perdido. Nada correu atrás de ninguém. Nada justificou um erro passado. Nada segurou um futuro. Nada ajudou sozinho quem não quis ser ajudado. Nada mudou quem não quis ser mudado. Nada progrediu quando o regredir foi mais alto. Nada parou de perseguir um sentimento ferido, um coração abatido.

Tudo seguiu empurrado como um nada.

Tudo seguiu vazio como o nada.

A vida se pôs em mudo

O coração acelerou além do que devia e do que podia. As mãos não tiveram controle próprio e quase que não assinam o papel. A sala pequena ficou menor do que já era. Chorou cinco minutos, ouviu, segurou o choro, chorou mais um pouco. Soluçou e não conseguiu se expressar. Se despediu. As pontas dos dedos formigavam e os lábios também. Não enxergou nada a sua volta e se sentiu morta por um ou dois milésimos de segundo. Quase caiu. Sentou, respirou fundo e disse a si mesma “isso não é real, é?”

Era.

Tudo era real. Seus sentimentos, sua força, seu suor, seu amor no que fazia, seu amor pelas pessoas, tudo o que viveu – sim a palavra é conjugada corretamente no passado. Mas a vontade de crescer, melhorar e mudar era pra ser conjugada no futuro.

Tudo era real. Sua dor, sua angústia, sua vontade que não fosse real. Anestesia, anestesiada.

O choro, às vezes, alivia. Mas isso não muda em nada o ritmo que as coisas seguem.

A vida se pôs em mudo, o sangue corria frio, a alma não via mais cor.

5 minutos

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Hoje tudo o que ela queria eram cinco minutos nada mais. Aqueles cinco minutos de felicidade que queremos que sejam eternos. Aqueles cinco minutos de sol, bichinhos fofos, sorrisos e gargalhadas. Lembranças. Os cinco minutos das lembranças.

Cinco minutos estes que dão de cara com as antíteses malditas. Dos dias em que nada flui, que o cabelo (com gel e tudo) não assenta, que ninguém entende uma frase sua, que você não entende uma frase de alguém, que tudo parece ser culpa sua (e é), de tudo parecer não ser culpa sua (e não ser), de tudo acontecer sem os cinco minutos.  São cinco minutos eternos de não alegria. De coisas estranhas, movimentos não correspondidos, sexto sentido falho, comida ruim, café sem açúcar e sentimentos coalhos.