amor_platônico

Nunca questione um sentimento nem duvide da dor do alheio.

Jamais interrogue se a ternura é real nem balanceie o coração de alguém.

Em hipótese alguma zombe daquele que, em tempos de amargura,
te amparou e enxugou suas lágrimas.

Pois é do amor que se espera a emoção e a solução
e da amizade que se espera a compreensão e a confiança.

E é da desilusão que surge o platonismo
e das verdades que surge o concreto.

Eu sei o que sinto por você.

Já tive dúvidas, que não eram tão minhas, confesso…

E apesar de tudo é singular e verdadeiro o meu amor.

Contudo o seu sentimento é a grande distância que nos separará pra sempre. 

Dívidas

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Ela deveria ter ido embora quando teve chance. E quando foi isso mesmo? Foi no tempo em que a chance falava mais alto e a vontade chamava. A oportunidade estava lá, mas a ocasião perdeu pro destino.
Ela deveria ter gritado e exposto tudo pra fora bem antes, há muito tempo atrás. Quem sabe agora teria mais respeito e aceitação.
Ela deveria ter sido rebelde e fria, assim agora não teria que se desprender e fazer os outros se arrebatarem de uma imagem torta que desenharam dela.
Ela deveria nunca ter exigido além do que podia de si mesma, assim os outros não exigiriam bem mais do que estabelecem hoje.
Ela deveria ter gritado quando sentiu vontade e chorado sem se preocupar com o que fossem pensar, assim não sentiria tantas dores reflexas disso tudo.
Ela deveria, depois disso tudo, ter ido embora pra sempre quando teve chance, mas agora a chance já não era mais acaso. Era vontade, definhamento, decesso, escuridão, fenecimento, desaparecimento…
Ela deveria ter dito isso pra alguém, mas não teve coragem. Nem de ter ido nem de ter falado.
Ela deveria sim ter falado, mas teve certeza que ninguém entenderia.
Ela deveria não ter devido tanto pra si mesma.
E desse débito todo só restou amor vindo de algum lugar que deve tê-la salvo de todas estas dívidas.

Ah o Outono!

“Outono na Terra do Nunca” – Por Maju Raz

Chove lá fora e da cama eu encaro um livro que descansa em minha escrivaninha. Mas por que chove lá fora se as “águas de Março já fecharam o verão”? Penso que seja por causa do Outono que é assim, meio instável, meio emoção…

Ah o Outono…o que pede o Outono?

Outono pede chuvinha fria e repentina com direito a bolinho de chuva e o livro preferido da gente. Outono pede galhos secos, pede dias gris-amarelados, pede cheiro de grama, pede cama (ah que preguiça!), pede livro e edredom. Pede também, na sombra, camiseta comprida de algodão e no sol regata de verão. É que o Outono é assim, um pouco como um livro, a cada hora mudando de página, de repente a história esfria, de repente fica quente e quando você menos espera, o fim (do livro e do dia) te surpreende. É que o Outono também é como um livro, mas também é como a gente, sempre complica tudo, indeciso e ambíguo, frígido e candente…

E no final da tarde a estação pede de novo pra se abrir um livro e ler talvez uma poesia escutando o vento e as folhas voando (atchim! Aôu rinite!). Na janta tem sopa e preguiça (de novo? Pois é…) e aquela sensação de alegria misturada com melancolia (não dá pra ilustrar isso) que chega com sua exclusiva brisa outonal ninguém pode explicar. Cada um tem a sua, não é? E assim segue o Outono pedindo galhos secos, montinhos de folhas, dias gris-amarelados, cheiro de grama, cheiro de páginas de livros, livros, poesias, cama, edredom, abraço, T.V., sol na sombra, emoção, cheiro de Outono, novas cores, novas grandes mudanças, novas páginas e histórias, muitos livros, renovação e esperança no coração…

Ah o Outono…

Maju Raz

OutonoCupoNation

*Esse texto faz parte do Concurso Cultural “O Outono e os livros, os livros e o Outono” do blog Eu leio, eu conto em parceria com a Cuponation. 😉

 

Cacos

E então cai a noite quente (agora fria).
Ela olha lá fora e pensa em você.
A alma (agora) vazia.
Mesmo assim ela olha lá fora e pensa em você.
Procura palavras e rimas pra poder te contar
o que está preso e abafado,
mas não dá.
Está tudo tão machucado
e gangrenado
e reprimido
e proibido
e amordaçado
e aprisionado
e encarcerado
e escravizado.
Há raiva, há dúvidas e até um pouco,
(talvez)
de esperança.
Ela olha mais uma vez lá fora e pensa em você…
Se pega chorando
lacrimeja confusa
Se encontra perdida
se perde em idéias
se prende sofrida
se solta vazia
se procura
se esquece
num vago momento

em silêncio
(e depois da última lágrima cair
antes mesmo do cansaço a vencer)
ela olho lá fora
e pensa só em você.

Maju Raz

Lirismo em crise

Fulmina-me o desejo do estranho.
A noite eu vago por aí
buscando alcançar os sonhos…

Sob as letras frias de frases
feitas e perdidas
declamo versos de vozes feridas,
de um lirismo em crise como eu!

Ah Deus!
Deus?
Estou caindo na tumba novamente
mas dessa vez
sem fé alguma.

Maju

Extremidades

Mas…será que chegou o tal dia
onde dúvidas chegaram ao fim
e clamaram ao amor, dizendo tchau a fantasia?
Vamos lá! Saiam todas essas dúvidas de dentro de mim!

E tenho medo de sonhar ao extremo
incerto é, meu coração.
Segura não sou do que sinto
confio no amor, mas não na paixão!

Paixão acaba. Ponto.

Amor é grandioso, vírgula
não fujo da realidade
afinal busco pela verdade!

A minha espada é minha fé,
Uma vitória? Pff! Somente esperança…
Se por fora penso ser vencedora,
Por dentro ainda sou criança!

Maju Raz

Em uma esquina qualquer…

E hoje faz 7 anos que recito isso “pra você”…

Foi para cima
não se pôde mais vê-la,
muito menos senti-la.
Foi para o alto
e consigo levou
flores, cheiros, palavras
e nem sequer avisou.
Foi…
E eu não queria assim…
E eu não consigo acreditar!
Só penso que foi em uma esquina qualquer
e nunca mais vai voltar…

Maju Raz

Vó ^-^