solidao

Não, não julgue meu coração. Ele não era assim. Dramático, realista, sofrível…ele só anda quieto, carente e triste. Pois tem dias que um olhar te despreza, uma palavra te fere, uma frase machuca e sentimento te atormenta. 

O doce fica amargo na boca, nada tem sentido, tudo se devora e te devora. Você sempre acha que é forte, cresceu ouvindo isso da sua avó que sempre dizia que você era mais, que podia ir além e que tudo passa. Mas tem horas que bate um lead jornalístico dentro de você: “O quê” e/ou “Quem?”, “Quando?”, “Onde?”, “Como?”, e “Por quê?” com algumas outras perguntas que vão só complicar. 

Não, não julgue minhas perguntas. Elas só querem mascarar o que anda me machucando e eu não posso fingir que não está. Desculpe vó, eu não sou tão forte quanto você achava e já pensei sim em desistir. Eu sofro calada no meio da madrugada pra não incomodar ninguém com meu choro discreto.  Há dias que me sinto só na multidão. Que sinto não ser uma expectativa, não ser o que quero ser e o que querem que eu seja, não conseguir expressar o que quero, não criar, não ser eu. Ser uma estranha e chata num mundo legal. Ser nada num todo. Ser um daqueles poemas realistas de Antero de Quental onde “sempre o mal pior é ter nascido.”

Sim eu sei o que você está pensando, mas não julgue minhas sensações e ações. Eu sei que parece fácil desistir e se entregar, mas não é. É muito mais difícil. 
Nada é fácil e a vida é um porre de questionamentos que muitas vezes não tem respostas ou muitas vezes a resposta é pior do que não ter resposta e o resultado é tudo isso que escrevi – aflições que só te fazem querer desistir…

 

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Vida que segue

Ela entrou dentro de min’alma e me desenhou. A “minha Clarice” – Francine Estevão:

Sobre o Nada

vidaquesegueSaiu cedo de casa. Teve insônia a noite toda e já não aguentava mais ficar na cama. Eram 6h45. Muito cedo se considerasse que não tinha absolutamente nada para fazer o dia todo. Normalmente, neste horário, ela já começava a se preparar para enfrentar o trânsito da cidade grande rumo ao escritório onde trabalhava. Mas dois dias antes, tiraram dela a rotina.

No primeiro dia depois de ser dispensada – sem nenhum motivo aparente –, ficou completamente perdida. Havia passado a noite bebendo com os amigos que a levaram para distrair e chorar as mágoas (leia-se xingar os ex-patrões e alguns dos ex-colegas de trabalho até não se lembrar de nenhum palavrão que ainda não tivesse usado). Acordou assustada, às 11h30 do dia seguinte, com o telefone tocando. Não conseguiu atender. A cabeça doía e o corpo não saia do lugar. Mas deu um pulo, involuntário, quando viu o horário…

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Sobre o nada

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Nada parou para que o que estivesse quebrado colasse. Nada desandou para que o que estava em inércia andasse. Nada foi iluminado para o que estivesse na escuridão visse a luz. Nada procurou quem estava perdido. Nada correu atrás de ninguém. Nada justificou um erro passado. Nada segurou um futuro. Nada ajudou sozinho quem não quis ser ajudado. Nada mudou quem não quis ser mudado. Nada progrediu quando o regredir foi mais alto. Nada parou de perseguir um sentimento ferido, um coração abatido.

Tudo seguiu empurrado como um nada.

Tudo seguiu vazio como o nada.

A vida se pôs em mudo

O coração acelerou além do que devia e do que podia. As mãos não tiveram controle próprio e quase que não assinam o papel. A sala pequena ficou menor do que já era. Chorou cinco minutos, ouviu, segurou o choro, chorou mais um pouco. Soluçou e não conseguiu se expressar. Se despediu. As pontas dos dedos formigavam e os lábios também. Não enxergou nada a sua volta e se sentiu morta por um ou dois milésimos de segundo. Quase caiu. Sentou, respirou fundo e disse a si mesma “isso não é real, é?”

Era.

Tudo era real. Seus sentimentos, sua força, seu suor, seu amor no que fazia, seu amor pelas pessoas, tudo o que viveu – sim a palavra é conjugada corretamente no passado. Mas a vontade de crescer, melhorar e mudar era pra ser conjugada no futuro.

Tudo era real. Sua dor, sua angústia, sua vontade que não fosse real. Anestesia, anestesiada.

O choro, às vezes, alivia. Mas isso não muda em nada o ritmo que as coisas seguem.

A vida se pôs em mudo, o sangue corria frio, a alma não via mais cor.

5 minutos

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Hoje tudo o que ela queria eram cinco minutos nada mais. Aqueles cinco minutos de felicidade que queremos que sejam eternos. Aqueles cinco minutos de sol, bichinhos fofos, sorrisos e gargalhadas. Lembranças. Os cinco minutos das lembranças.

Cinco minutos estes que dão de cara com as antíteses malditas. Dos dias em que nada flui, que o cabelo (com gel e tudo) não assenta, que ninguém entende uma frase sua, que você não entende uma frase de alguém, que tudo parece ser culpa sua (e é), de tudo parecer não ser culpa sua (e não ser), de tudo acontecer sem os cinco minutos.  São cinco minutos eternos de não alegria. De coisas estranhas, movimentos não correspondidos, sexto sentido falho, comida ruim, café sem açúcar e sentimentos coalhos. 

Era pra ser outro texto

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Era pra ser um texto sobre o aniversário – sobre os 27 anos, mas agora não há nada pra ser escrito sobre isso.

Era pra falar de amor, de amar, da mãe e dos amigos, mas neste momento nada iria sair.

Eu só queria expressar que se o mundo é egoísta imagine então o interior das pessoas… Não eu não quis generalizar, mas no momento é tudo o que consigo pensar.

Em egoísmo, altruísmo, nervosismo. E nada foi com a intenção de rimar, pois possessão vem em seguida.

Por mais que você faça pelas pessoas, por mais que você as ame, por mais que você se doe, elas vão achar uma frase, um jeito, uma brecha, uma forma de atingir um ponto que te machuque muito, que te magoe e que te faça ter vontade de te não ter existido, de te segurar, de não SER.

Por que às vezes dá vontade de fugir, de sonhar, de sumir, de ir, varrer, dissipar – DESINTEGRAR. 

O Fígado

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Existem algumas coisas que não gosto e que preciso enumerar:

  1. Fígado de boi
  2. Calor
  3. Cobranças
  4. Ficar sem celular
  5.  Injustiça
  6. Drama
  7. Suco de manga
  8. Meia molhada
  9. Placa mãe de computador que pifa
  10. Ficar irritada
  11. Esse texto
  12. Número ímpar

Não gosto de fígado de boi por que a textura dele é tosca, esfarela e o gosto é horrível.  Calor me deixa irritada e as cobranças se encaixam tanto numa conta de celular quanto nas pressões de satisfações e mais ainda em veto de liberdade.

Ficar sem o celular não era um problema até uns dez anos atrás. Eu pensei que fosse ser fácil ficar sem ele, mas não é. Ainda mais quando você compra o celular por conta da câmera fotográfica embutida nele pois você gosta de fotografar. O que me deixa nervosa é que comprei um celular novo por que o outro já me dava muitos problemas e dor de cabeça e não queria mais isso. Então você trabalha cinco meses e guarda dinheiro pra comprar um aparelho novo que resolve pifar de uma hora pra outra. Você torna a se irritar e ter dores de cabeça…

Quem é que gosta de injustiça? Isso realmente me tira do sério e eu não vou entrar nesse assunto agora pois você não leria esse texto até o fim. Também não vou nem começar a dizer por que não gosto de drama, mas desculpe, eu faço muito drama. A psicologia chamaria de projeção, produção?

Suco de manga é fiapudo e espesso. Blécat! Estou falando disso por que acabaram todos os outros sucos de casa e só sobrou o de manga.

A sensação de ter a meia molhada, pra mim, é sensação de morte. Meia molhada, pé gelado, dá no mesmo. Eu só citei isso aqui por que quando fico nervosa minhas mãos e meus pés ficam gelados.

Placa mãe de computador que pifa – Orçamento do meu notebook: “A placa mãe da senhora está em curto e isso prejudicou todas as outras peças do seu aparelho. O custo benefício para arrumar não compensa, compensa comprar um novo”. Diz isso pra quem tem garantia, moço?

Ficar irritada me leva a um estado de irritação muito maior que acaba virando raiva incontrolada que quer ser controlada. Mas por que a gente tem que conter e controlar tudo na vida? A somatória de todas as alternativas acima me deixam mais irritada e me irritam mais e mais. Aí quem se prejudica é o fígado – não o do boi, o meu mesmo. Eu já expliquei por que não gosto de fígado.

Eu falei muito a palavra fígado. Foi tudo culpa do inconsciente, não do coletivo, mas do intuitivo (se é que isso existe, se não existe acabou de existir). Fígado (de boi) é ruim, mas é também o segundo maior órgão do corpo humano. Ele produz  bile (que quando a gente vomita é amarga, um amargo como agora) e sintetiza o colesterol e faz uma detox no organismo. Acho que detox é a palavra do momento. Ele faz mais outras trocentas coisas que não consigo lembrar da aula de biologia e pra isso é só dar um Google. Mas eu só falei do fígado já que um adjetivo relacionado a este órgão é “hepático” que rima com apático que rima comigo.

Esse texto – eu sabia que ele iria me irritar e o ciclo dele iria girar em uma espiral do silêncio sem fim assim como giram minha apatia, minhas irritações e tristezas.

O número ímpar foi só pra não ficar no 11. Com onze sobra um e sobrar nunca é bom (a não ser quando se fala de comida pro outro dia, de doce e brigadeiro). Ficar sozinho. às vezes, é legal. Mas ser sozinho é horrível assim como o gosto do fígado.