O Fígado

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Existem algumas coisas que não gosto e que preciso enumerar:

  1. Fígado de boi
  2. Calor
  3. Cobranças
  4. Ficar sem celular
  5.  Injustiça
  6. Drama
  7. Suco de manga
  8. Meia molhada
  9. Placa mãe de computador que pifa
  10. Ficar irritada
  11. Esse texto
  12. Número ímpar

Não gosto de fígado de boi por que a textura dele é tosca, esfarela e o gosto é horrível.  Calor me deixa irritada e as cobranças se encaixam tanto numa conta de celular quanto nas pressões de satisfações e mais ainda em veto de liberdade.

Ficar sem o celular não era um problema até uns dez anos atrás. Eu pensei que fosse ser fácil ficar sem ele, mas não é. Ainda mais quando você compra o celular por conta da câmera fotográfica embutida nele pois você gosta de fotografar. O que me deixa nervosa é que comprei um celular novo por que o outro já me dava muitos problemas e dor de cabeça e não queria mais isso. Então você trabalha cinco meses e guarda dinheiro pra comprar um aparelho novo que resolve pifar de uma hora pra outra. Você torna a se irritar e ter dores de cabeça…

Quem é que gosta de injustiça? Isso realmente me tira do sério e eu não vou entrar nesse assunto agora pois você não leria esse texto até o fim. Também não vou nem começar a dizer por que não gosto de drama, mas desculpe, eu faço muito drama. A psicologia chamaria de projeção, produção?

Suco de manga é fiapudo e espesso. Blécat! Estou falando disso por que acabaram todos os outros sucos de casa e só sobrou o de manga.

A sensação de ter a meia molhada, pra mim, é sensação de morte. Meia molhada, pé gelado, dá no mesmo. Eu só citei isso aqui por que quando fico nervosa minhas mãos e meus pés ficam gelados.

Placa mãe de computador que pifa – Orçamento do meu notebook: “A placa mãe da senhora está em curto e isso prejudicou todas as outras peças do seu aparelho. O custo benefício para arrumar não compensa, compensa comprar um novo”. Diz isso pra quem tem garantia, moço?

Ficar irritada me leva a um estado de irritação muito maior que acaba virando raiva incontrolada que quer ser controlada. Mas por que a gente tem que conter e controlar tudo na vida? A somatória de todas as alternativas acima me deixam mais irritada e me irritam mais e mais. Aí quem se prejudica é o fígado – não o do boi, o meu mesmo. Eu já expliquei por que não gosto de fígado.

Eu falei muito a palavra fígado. Foi tudo culpa do inconsciente, não do coletivo, mas do intuitivo (se é que isso existe, se não existe acabou de existir). Fígado (de boi) é ruim, mas é também o segundo maior órgão do corpo humano. Ele produz  bile (que quando a gente vomita é amarga, um amargo como agora) e sintetiza o colesterol e faz uma detox no organismo. Acho que detox é a palavra do momento. Ele faz mais outras trocentas coisas que não consigo lembrar da aula de biologia e pra isso é só dar um Google. Mas eu só falei do fígado já que um adjetivo relacionado a este órgão é “hepático” que rima com apático que rima comigo.

Esse texto – eu sabia que ele iria me irritar e o ciclo dele iria girar em uma espiral do silêncio sem fim assim como giram minha apatia, minhas irritações e tristezas.

O número ímpar foi só pra não ficar no 11. Com onze sobra um e sobrar nunca é bom (a não ser quando se fala de comida pro outro dia, de doce e brigadeiro). Ficar sozinho. às vezes, é legal. Mas ser sozinho é horrível assim como o gosto do fígado.

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