Nenhum título vai servir

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Eu não sou boa com palavras. Nunca fui. Sou um poço de sentimentos e frases piegas. Eu sou emoção, sou abraço, sou desejo e afeto. Quando não gosto não descarto de vez – mesmo não podendo,tenho dó. E “a compaixão mantem a ferida aberta”…
Quando odeio não posso nem sentir o cheiro!
Quando amo, cuido e morro de ciúmes. Ciúmes é ridículo então o reprimo, mas amo, protejo e me entrego.
Quando amo me apego, por que amar é isso, ou talvez não. Disque um se sim, disque dois se não. Você decide.
Então me apego. Me apego e me ferro. Ninguém se apega a você como você se apega a esse alguém. Sim, isso é egoísmo. Sim, isso é realidade.
Já dizia a OLX: “desapega”. Queria saber praticar isso pros sentimentos.
E assim vamos vivendo a falsa sensação de que com o tempo tudo passa, que o tempo tudo cura…
Mas a mente humana não tem noção de tempo e espaço – e é por isso que tudo parece que foi ontem.
E é por isso que tudo AINDA dói.

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Era pra ser outro texto

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Era pra ser um texto sobre o aniversário – sobre os 27 anos, mas agora não há nada pra ser escrito sobre isso.

Era pra falar de amor, de amar, da mãe e dos amigos, mas neste momento nada iria sair.

Eu só queria expressar que se o mundo é egoísta imagine então o interior das pessoas… Não eu não quis generalizar, mas no momento é tudo o que consigo pensar.

Em egoísmo, altruísmo, nervosismo. E nada foi com a intenção de rimar, pois possessão vem em seguida.

Por mais que você faça pelas pessoas, por mais que você as ame, por mais que você se doe, elas vão achar uma frase, um jeito, uma brecha, uma forma de atingir um ponto que te machuque muito, que te magoe e que te faça ter vontade de te não ter existido, de te segurar, de não SER.

Por que às vezes dá vontade de fugir, de sonhar, de sumir, de ir, varrer, dissipar – DESINTEGRAR. 

O Fígado

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Existem algumas coisas que não gosto e que preciso enumerar:

  1. Fígado de boi
  2. Calor
  3. Cobranças
  4. Ficar sem celular
  5.  Injustiça
  6. Drama
  7. Suco de manga
  8. Meia molhada
  9. Placa mãe de computador que pifa
  10. Ficar irritada
  11. Esse texto
  12. Número ímpar

Não gosto de fígado de boi por que a textura dele é tosca, esfarela e o gosto é horrível.  Calor me deixa irritada e as cobranças se encaixam tanto numa conta de celular quanto nas pressões de satisfações e mais ainda em veto de liberdade.

Ficar sem o celular não era um problema até uns dez anos atrás. Eu pensei que fosse ser fácil ficar sem ele, mas não é. Ainda mais quando você compra o celular por conta da câmera fotográfica embutida nele pois você gosta de fotografar. O que me deixa nervosa é que comprei um celular novo por que o outro já me dava muitos problemas e dor de cabeça e não queria mais isso. Então você trabalha cinco meses e guarda dinheiro pra comprar um aparelho novo que resolve pifar de uma hora pra outra. Você torna a se irritar e ter dores de cabeça…

Quem é que gosta de injustiça? Isso realmente me tira do sério e eu não vou entrar nesse assunto agora pois você não leria esse texto até o fim. Também não vou nem começar a dizer por que não gosto de drama, mas desculpe, eu faço muito drama. A psicologia chamaria de projeção, produção?

Suco de manga é fiapudo e espesso. Blécat! Estou falando disso por que acabaram todos os outros sucos de casa e só sobrou o de manga.

A sensação de ter a meia molhada, pra mim, é sensação de morte. Meia molhada, pé gelado, dá no mesmo. Eu só citei isso aqui por que quando fico nervosa minhas mãos e meus pés ficam gelados.

Placa mãe de computador que pifa – Orçamento do meu notebook: “A placa mãe da senhora está em curto e isso prejudicou todas as outras peças do seu aparelho. O custo benefício para arrumar não compensa, compensa comprar um novo”. Diz isso pra quem tem garantia, moço?

Ficar irritada me leva a um estado de irritação muito maior que acaba virando raiva incontrolada que quer ser controlada. Mas por que a gente tem que conter e controlar tudo na vida? A somatória de todas as alternativas acima me deixam mais irritada e me irritam mais e mais. Aí quem se prejudica é o fígado – não o do boi, o meu mesmo. Eu já expliquei por que não gosto de fígado.

Eu falei muito a palavra fígado. Foi tudo culpa do inconsciente, não do coletivo, mas do intuitivo (se é que isso existe, se não existe acabou de existir). Fígado (de boi) é ruim, mas é também o segundo maior órgão do corpo humano. Ele produz  bile (que quando a gente vomita é amarga, um amargo como agora) e sintetiza o colesterol e faz uma detox no organismo. Acho que detox é a palavra do momento. Ele faz mais outras trocentas coisas que não consigo lembrar da aula de biologia e pra isso é só dar um Google. Mas eu só falei do fígado já que um adjetivo relacionado a este órgão é “hepático” que rima com apático que rima comigo.

Esse texto – eu sabia que ele iria me irritar e o ciclo dele iria girar em uma espiral do silêncio sem fim assim como giram minha apatia, minhas irritações e tristezas.

O número ímpar foi só pra não ficar no 11. Com onze sobra um e sobrar nunca é bom (a não ser quando se fala de comida pro outro dia, de doce e brigadeiro). Ficar sozinho. às vezes, é legal. Mas ser sozinho é horrível assim como o gosto do fígado.

Hoje

Nó na garganta

Hoje ela acordou diferente: Acordou com um nó na garganta.

E não adianta tentar desfazer um nó preso na garganta. Ele não solta, não desprende. A sensação é, a princípio, de vômito. Depois vem a dor e um nó apertado. Nó que sobe e desce conforme você tenta disfarçar com um sorriso torto dizendo que nada dentro de você está explodindo. E pra que disfarçar um nó na garganta que só quer ser desfeito?

Com ela sempre foi assim. Só que tudo muda. Tudo vai e se esvai, e hoje ela acordou diferente.

Não havia chão, não havia clima, não havia sonhos nem expectativas. Havia sol sem raio,  nuvem sem contorno, flor sem cheiro, folhas fora do galho.

Não havia vontade, não havia força, não havia mais, por perto, suas amizades.

O nó na garganta arranhava preso e intacto, desceu pro estômago e voltou. O nó na garganta era o culpado.

O nó na garganta criou e gerou expectativas que não foram autorizadas. Mas expectativa é assim mesmo, não é? O nó na garganta foi enganado.

Um simples nó de garganta poderia ser resolvido se soltado e exaltado, mas ele estava lá por um erro de percurso já que nós não são feitos, e sim, segmentados. O nó na garganta pediu pra ser camuflado.

A garganta não rompeu o nó apertado que só podia ser afrouxado se desfeito com cuidado. O choro correu solto e isso só piorou o nó estreito e entalado. Pior que nó na garganta, é nó no coração. Ou não?

Não havia mais nada. Só dor e saudade. Voltou pra casa, tomou banho e foi deitar com o nó na garganta.

E não adianta tentar desfazer um nó preso na garganta. Ele não solta, não desprende.

Ah o Outono!

“Outono na Terra do Nunca” – Por Maju Raz

Chove lá fora e da cama eu encaro um livro que descansa em minha escrivaninha. Mas por que chove lá fora se as “águas de Março já fecharam o verão”? Penso que seja por causa do Outono que é assim, meio instável, meio emoção…

Ah o Outono…o que pede o Outono?

Outono pede chuvinha fria e repentina com direito a bolinho de chuva e o livro preferido da gente. Outono pede galhos secos, pede dias gris-amarelados, pede cheiro de grama, pede cama (ah que preguiça!), pede livro e edredom. Pede também, na sombra, camiseta comprida de algodão e no sol regata de verão. É que o Outono é assim, um pouco como um livro, a cada hora mudando de página, de repente a história esfria, de repente fica quente e quando você menos espera, o fim (do livro e do dia) te surpreende. É que o Outono também é como um livro, mas também é como a gente, sempre complica tudo, indeciso e ambíguo, frígido e candente…

E no final da tarde a estação pede de novo pra se abrir um livro e ler talvez uma poesia escutando o vento e as folhas voando (atchim! Aôu rinite!). Na janta tem sopa e preguiça (de novo? Pois é…) e aquela sensação de alegria misturada com melancolia (não dá pra ilustrar isso) que chega com sua exclusiva brisa outonal ninguém pode explicar. Cada um tem a sua, não é? E assim segue o Outono pedindo galhos secos, montinhos de folhas, dias gris-amarelados, cheiro de grama, cheiro de páginas de livros, livros, poesias, cama, edredom, abraço, T.V., sol na sombra, emoção, cheiro de Outono, novas cores, novas grandes mudanças, novas páginas e histórias, muitos livros, renovação e esperança no coração…

Ah o Outono…

Maju Raz

OutonoCupoNation

*Esse texto faz parte do Concurso Cultural “O Outono e os livros, os livros e o Outono” do blog Eu leio, eu conto em parceria com a Cuponation. 😉

 

Crucificação

Versos soltos e terapia?
Há! Tá bom! Conta outra…
Alma vazia!
Alma vazia é o que tens!
Alma vazia!
Como pôde ousar
mentir e desafiar
brincar e duvidar
partir e matar?
Tudo isso com um só coração.
Tudo isso com uma só alma.
Olhe no espelho, cresça
amadureça!
O que falta é pregar-te na cruz!
Mas falta uma cruz pra pregar-te.
Eu sei onde posso encontrá-la
e é o que eu vou fazer.
Pregar-te na cruz
alma vazia!
Não é o que desejas
meu Senhor?

Maju Raz

Cacos

E então cai a noite quente (agora fria).
Ela olha lá fora e pensa em você.
A alma (agora) vazia.
Mesmo assim ela olha lá fora e pensa em você.
Procura palavras e rimas pra poder te contar
o que está preso e abafado,
mas não dá.
Está tudo tão machucado
e gangrenado
e reprimido
e proibido
e amordaçado
e aprisionado
e encarcerado
e escravizado.
Há raiva, há dúvidas e até um pouco,
(talvez)
de esperança.
Ela olha mais uma vez lá fora e pensa em você…
Se pega chorando
lacrimeja confusa
Se encontra perdida
se perde em idéias
se prende sofrida
se solta vazia
se procura
se esquece
num vago momento

em silêncio
(e depois da última lágrima cair
antes mesmo do cansaço a vencer)
ela olho lá fora
e pensa só em você.

Maju Raz