Minha amiga de 4 patas

Uma das últimas fotos de minha princesinha - 24/04/2010

Esse é um post triste…

Lembro-me como se fosse ontem… Era Março de 1996. Eu havia acabado de completar nove anos e estava na terceira série na saída da escola Viver e minha mãe veio me buscar com seu Fusquinha verde e disse: “Tenho uma surpresa pra você!” Abriu a porta e me deu uma cesta coberta com um pano. Quando tirei o pano era uma cachorrinha bem pequena, peluda e da cor champagne. Ela estava meio assustada, meio encolhida. Eu dei pulos de alegria e minha mãe me disse que tinha sido minha vó que a comprou pra mim de presente.

Eu, esbanjando alegria misturada com euforia e felicidade, peguei a pequena cachorra e saí mostrando pra todos os meus coleguinhas da escola. Depois voltei pro carro e fui pra casa. Chegando ao meu apartamento eu pensei: “Que nome darei pra ela?” Pensei, pensei e acabei a chamando de Julie como sugestão da minha tia. Depois pensei: “Será que vão me deixar ficar com ela aqui?” Meu apartamento tinha carpete e Julinha fazia xixi por toda parte. Comecei a ensiná-la a fazer xixi no jornal e ela aprendeu muito bem, só fazia xixi no jornal. Sempre foi muito inteligente e esperta.

Minha mãe sempre falava pra eu tomar cuidado com a pequena Julie, que ela corria pero dos pés da gente e que eu podia acabar pisando nela, mas claro que eu achava que nunca ia pisar nela. Dito e feito pisei numa pata dela e agora ela mancava. Abri um berreiro e achei que iam ter que cortar a pata dela fora, hehehe, mas não havia sido nada, era só uma dor momentânea.

Julie ficou comigo até crescer, depois ficava na casa da minha avó. Eu estava sempre na casa de minha avó e sempre lá brincando com ela, torrando as paciências dela e do Ted, seu irmão.

Ás vezes eu a pegava e levava pra passear, mas ela tinha medo da coleira e acabava tendo que passear no colo. Teve um dia que eu e minha prima pegamos o carrinho antigo de bebê do meu irmão, colocamos os cães e fomos dar volta com eles. Foi engraçadíssimo! Adorava colocar roupinha nela, comprar bifinhos caninos e levar pra ela comer, levar ela no meu apartamento… Ela foi sempre uma cachorra obediente e muito amorosa.

Eu não podia chegar à minha vó e ela já escutava minha voz e já latia um montão pra eu ir lá vê-la.

Julie teve vários filhotes, vários companheiros caninos. Teve ciúmes da cachorra Basset Biba que ganhei mais tarde. As duas até brigaram uma vez. Depois perdi Biba com a doença do carrapato. Foi muito doloroso e triste, mas eu ainda tinha a Julie…

O tempo foi passando e a gente sempre se vendo e se amando. Em 2003 Julie teve dois filhotes. Um morreu e o que sobreviveu chamou atenção de minha mãe. Minha mãe resolveu ficar com o pequenino cão e dei o nome a ele de Fred.

Ficamos com o Fred, mas em 2004 tivemos que mudar de volta pra apartamento e aí o esquema era o mesmo esquema que sempre fiz com Julie. Pegava Fred aos finais de semana pra passear. Algumas vezes trouxe Julie também pro apartamento.

Passado um tempo, em Julho de 2006, eu me mudei pra Ribeirão e trouxe o Fred, sempre queria trazer a Julie e minha vó falava que ela não ia acostumar, não ia acostumar… Mas eu bati o pé e trouxe minha linda Julinha pra Ribeirão em 2007.

A casa agora estava repleta de alegria. Julie e Fred sempre nos recebiam com muita festa, faziam coisas engraçadas, me lambiam, me davam muito amor, quando eu estava triste eles sentiam e ficavam comigo e faziam companhia um pro outro quando saíamos.

Foi com 11 anos,em 2007, que Julie teve a primeira convulsão. Foi uma coisa leve e eu achei que ela estava apensa com muita vontade de fazer xixi e não conseguiu chegar a tempo até o jornal, mas não, eram convulsões. Recebeu vários tratamentos até se adequar ao mais recente. Gardenal pela manhã, Brometo de Potássio pela tarde e Gardenal de novo à noite.

Julie superou várias dores e até operou de um cisto na tetinha. Sobreviveu à anestesia e tudo mais…

As convulsões estavam controladas. Uma vez ou outra um ataque era desencadeado. Viajamos bastante, passeamos bastante, corremos juntas, rolamos juntas, tomamos banho juntas, sofremos juntas com os ataques, ganhei lambidas, carinhos, gracinhas e muita felicidade dela.

Sempre foi uma cachorra muito forte. Teve um AVC, ficou ruim e sem andar por três dias e logo voltou a andar! Foi lindo!

Esse Natal era pra ser mais um Natal feliz…seria se nada disso tivesse acontecido. Viajamos pra Santa Bárbara D’Oeste na casa da minha tia. Eu fui meio que cochilando a viagem toda e ela me cutucando com a patinha pra ganhar um carinho, sempre foi meio carente. Eu fazia carinho e ela cochilava. Veio toda contente na viagem e explorou a casa da minha tia quando lá chegou. Conheceu o cachorro do vizinho. Tava toda toda andando pra lá e pra cá. Foi aquela festa, foi um Natal divertido exceto no dia seguinte. Julie escapou do quartinho onde dormia junto com o Fred e eles mexeram no papel de Frango que estava no lixo.

Começou a passar mal, a levei no veterinário e ela tomou medicação ficou boa e depois voltou a ficar mal. Sofri a vendo passar por toda dor e sofrimento, liguei pro veterinário de novo e ele parecia que não estava nem aí, estava viajando e falou que era assim mesmo… Ela tinha parecido que deu uma melhorada, comeu  a canja que minha mãe tinha feito pra ela, estava tomando sorinho caseiro, mas na tarde do dia 26 passou muito mal e teve uma parada cardíaca. Ela estava no meu colo, eu tinha ido comprar uma seringa e um soro pra dar pra ela. Cheguei da farmácia e peguei no colo, a acalmei, falei “calma meu bebê velho (eu a chamava assim às vezes) você vai ficar boa. A mãe foi comprar esse soro pra você bem gostoso e você vai ficar fortona e sem dor. Dei dois beijos nela e acariciei suas orelhas. Eu amo você muito viu?” E Depois que falei isso seus olhos parece que perderam o brilho. Ela ficou mole e aí eu tinha certeza que havia a perdido. Foi uma correria, tentamos falar com algum veterinário e não conseguimos, tentei reanimar o coração dela fazendo massagem e assoprando o focinho, mas nada. Eu havia a perdido em meus braços…nada pude fazer =;-;=

Como são as coisas né? Quando um cachorro nasce os olhos estão fechados e demoram um tempo até se abrirem. Você ama e cuida de quem não te vê. É estranho, mas quando um cachorro morre a primeira coisa que você vê falecer nele nele são os olhos que perdem a vida antes de todo o corpo. O coração bate, o pulmão respira, mas os olhos vão perdendo o brilho e perdem a cor.

Foi tudo muito rápido e doloroso. Está sendo mais doloroso agora que ficam as dúvidas: e se eu tivesse levado ela em outro veterinário? E se eu não tivesse a deixado dormir lá fora e dormisse com ela como fazia todos os dias? Será que foi isso? Será que foi àquilo? Será que ela sofreu muito? Será que…e se..?

Isso dói muito muito muito. Doeu ter que enterrar aquele corpinho canino doce e frágil que nunca machucou ninguém, que agüentou tanta coisa, doeu ter que voltar pra Ribeirão sem ela ao lado na viagem me cutucando, doeu chegar em casa e ver o cantinho dela com o jornal pra fazer xixi, doeu encontrar suas chuquinhas de orelha, seus colares de lacinho, seu perfume canino, sua ração escondida no canto da sala, pipoca escondida debaixo da cama dela, bolacha na minha escrivaninha, no armário da sala. Doeu chegar no meu quarto e ver a caminha dela a esperando… Doeu muito e tá doendo muito mais.

Se eu soubesse que assim seria seu fim nunca deixaria você ter dormido lá fora. Nunca te descuidaria. Se eu soubesse que eram seus últimos dias comigo iria te agarrar e não soltar mais. Eu adorava te agarrar… Teria passeado mais, te dado mais bifinhos, recebido mais lambidas, te amado mais…tsc.

Agora não vou mais receber lambidinhas nos dedos dos pés quando acordar. Não vou mais receber lambidinhas no nariz ao chegar em casa, ao te agarrar.

Não vou mais ter que te dar remédios pra suas dores.

Não vou mais ver você limpando a boca no seu  ou no meu lençol, você lambendo os olhos do Fred, lambendo a boca do Fred…

Não vou mais poder dar beijinhos na sua barriga.

Não mais receberei lambidinhas ao sair do banho.

Não terei mais sua companhia ao ir ao banheiro, tomar banho, ao cozinhar, ao estender a roupa lá fora, ao ir até a padaria comprar alguma coisa, nos passeios caninos…

Não mais vou ter que colocar uma cadeira na porta quando estiver lavando a cozinha, porque você ia lá na água, você adorava sapatear na água.

A sala não ficará livre de pelos porque ainda tenho o Fred que você deixou pra nós.

Você não vai mais ficar no meu colo enquanto eu jogava bichinhos pro Fred brincar.

Não vou mais fazer bolo de carne no seu aniversário, fazer filminhos de você…

Não vou mais achar ração escondida nos cantinho de casa, pedacinhos de comida escondidos nos cantinhos de armários, dentro do armário da sala, debaixo da sua caminha. Hoje eu achei alguns no meu quarto e meu coração se despedaçou lembrando de você os escondendo com a focinha delicada que você tinha.

Não vou mais ouvir seus latidos pedindo pra te tirar da cama porque você não conseguia mais descer. Não terei mais patas sobre mim me abraçando sempre que eu pedia.

Não verei mais seu “sapateado fofo” pedindo comida enquanto almoçávamos.

Não terei mais bom dia pela manhã com você querendo sair logo pra fazer xixi no seu cantinho.

Não sentirei mais seu cheirinho quando apertava você e te deitava comigo.

Não terei mais você deitada nos colchões, você amava um colchão e não podia ver um dando sopa.
As pombas e pássaros vão ter sossego porque você não vai mais espantá-los.

Ninguém vai mais por o focinho insistentemente entre as folhas de alguma coisa que eu estiver lendo ou comendo querendo atenção, empurrando minha mão para coçar seu pescoço.

Não vou mais morder de leve sua orelha pra ver você fingir que vai me morder.

Não vou vou mais brincar de pegar no rabinho.

Não vou mais sperar pedaço de tomate, pãozinho, cenoura, salsicha e carne moída. Ah como você amava tudo isso!

Não vou ver mais sua “minhoca smilinguida”, suas explorações pela casa, suas “cavucações” nos colchões e debaixo da pia, você tentando esconder a comida com paninho, você pegando a ração que caiu dentro do pote d’água e fazendo bolinhas…

Não verei mais aquele olhar de pidona de “Me deixa ficar aqui na sua cama contigo só mais um pouquinho!”. Aquele olhar de piedade, olhar de amor… Não mais olhares doces… Eram os olhos mais lindos e doces que já vi.

Não mais cabeça no meu colo, patinha me chamando, corrida desengonçada, rabinho abanando, amor e muito amor, comunhão amiga.
A vida continua, mesmo quando algo que você amava tanto tenha que ir embora. Bem raramente alguns poucos bons amigos se preocupam e entendem esta dor ao perder um cão, ou um animalzinho. Só quem tem um cão ou algum animalzinho de estimação que sabe o que é e como é perder um. É como se tivesse perdido um amigo, porque Julie era minha amiga, só não falava verbalmente.

E foi assim que te perdi minha princesinha velha. Quando que eu poderia imaginar que você estaria partindo? Tsc…

Não escutarei mais seu latido meio rouco, não receberei mais suas lambidinhas carinhosas e olhares doces e todas essas coisas que acabei de dizer que perdi.  Agora o silêncio reina absoluto em alguns cantos da casa (nos seus cantos) porque o Fred alegra outros cantos. Minha amiga Julie foi embora, me deixou um vazio muito grande. E se existe um céu para cães, ela deve estar lá agora, correndo com coelhos, gatos, hamsters, pássaros e outros animais por verdes vales.

Julie, Julinha, Marocas, Véia, Bebê velho, Princesinha… Desculpa se falhei contigo alguma vez ou nas últimas horas. Desculpe pelos “agora não”, pelos sofrimentos. Obrigada por sempre me fazer feliz, por me fazer sorrir mesmo quando eu não tinha motivos pra sorrir. Eu olhava pra você e você me dava uma lambidinha e me alegrava, e me fazia me sentir bem…

Obrigada por ter sempre me amado e sempre me seguido.

Adeus velha, querida e amada cachorrinha amiga! Descansa em paz!

“Se eu soubesse que nosso tempo juntas estava no fim
Eu teria feito tudo diferente minha eterna
amiga…”

"O que é belo nao morre, apenas muda de endereço. O amor que os conectou é eterno."

Escrito por: Sally Evans for Shoo-Fly

“E quando chegar o meu último e mais difícil momento, o de minha partida, fique comigo e não diga ‘não posso ver isso’. Com a sua presença, tudo será mais fácil para mim. A fidelidade de toda minha vida deverá compensar esse momento de dor. Sentindo o seu carinho, partirei sabendo que a minha vida de cachorro valeu a pena!”

Ainda bem que eu estava lá contigo. Você foi minha cachorra que valeu muito mais que a pena! Saudade eterna…amo você!

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12 comentários sobre “Minha amiga de 4 patas

  1. Tenho uma vaga ideia de sua dor… Porque só de pensar que o Tikinho um dia vai nos deixar já deixa meu coração miudinho…
    Não se culpe, tudo que podia ser feito por ela foi feito…
    Você cuidou muito bem dela, dando todo seu amor e carinho e estava com ela na hora que ela mais precisou de voce…
    A dor vai diminuir com o tempo, e o que vai ficar é a alegrias que viram juntas.
    Beijos desta sua prima que te adora.

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  2. “A compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de caráter
    e pode ser seguramente afirmado, que quem é cruel com os animais,
    não pode ser um bom homem.”
    Arthur Schopenhauer
    Seu amor e dedicação para com os animais e em especial por nossa querida princesinha branca dona Marocas, só me faz ter mais orgulho em tê-la como minha filha….tudo prova que você soube assimilar os princípios básicos de educação que passamos a você. O tempo vai amenizar a dor, tenha certeza…temos que ter paciência e acreditar. Beijos da sua mãe e fã

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  3. A terra perdeu um anjinho e o ceu ganho mais um,com td certeza do mundo vc fez o que era melhor e o impossivel por ela e eu tbm tenho certeza que ela sabe muito bem disso!
    Todos nós amavamos muito ela mas é hora de dexar ela partir e lembrar sempre de como nossa vida foi melhor com ela por perto!
    Força Primaa, pq mesmo q demore essa dor no teu peito vai passar!

    Te amo muito
    Bia

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    • É prima uma anjnha de quatro patinhas hehehe…ela gostava muito de você também! Viu sua fotinha com ela? =)
      Obrigada pela força! Tá sendo muito difícil…um dia após outro né? Tsc…falei com a veterinária da Julinha e ela disse que foi erro do veterinário. Que ele tinha que ter feito um ultrassom…depois te explico. Agora não adianta também né…só tentar esquecer momentos ruins e deixar os bons na memória….valeu por visitar, ler e comentar. bjs

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  4. Nossa Maju… muito lindo mesmo, rs. Me emocionei aqui. Sabe nada acontece por acaso, chegou o tempo dela e talvez assim tenha sido melhor. Se ela ainda estivesse aqui ela poderia estar sofrendo e bem mais, eu sei que é difícil entender isso mas…
    Ela esta em algum lugar bem melhor agora e sem sofrer o que é melhor ainda.
    E com o tempo a dor passa, só que fica a saudade e temos que saber lidar com isso :/
    Força para você e para a sua família. Conte sempre comigo =)
    Beijos

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      • Pois é.. temos que aprender a lidar com as coisas, por mais difíceis que elas sejam. Imagina.. obrigada Maju, e você é muito legal =)
        sempre agradeço por Deus ter colocado pessoas importantes em minha vida, como você. Beijos

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