Porque “a amizade claramente é o melhor remédio”

Sem dúvida rir é um melhor remédio, mas não para o médico Patch Adams. Patch é um médico norte-americano, famoso por sua metodologia de ajudar ao próximo com a simples intenção de ajudar. Tudo isso porque após perder o pai e ser deixado pela namorada, enfrentou uma grande crise de depressão e resolveu se internar numa clínica de psiquiatria. Lá vivenciou experiências e concluiu que ajudar ao próximo, cuidando dele, é a melhor maneira de esquecer seus próprios problemas e se tudo isso for feito com riso e amor aí fica melhor ainda. Por isso começa sua entrevista ao programa Roda Viva da TV Cultura corrigindo o entrevistador Chunha Jr:

“Não concordo com “rir é o melhor remédio”. Eu nunca disse isso. A amizade claramente é o melhor remédio. É a coisa mais importante na vida. São nossas relações com aqueles que amamos. Infelizmente, os meios de comunicação, sendo como são, muito antes de me conhecer, imaginam que rir seja o melhor remédio. Então, quando escrevem o artigo, põem essa frase porque o fazem, na realidade, sem pensar. Também quero corrigir a idéia de que rir seja uma terapia.”

Foi uma entrevista cheia de debates e assuntos profundos de uma sociedade egoísta e capitalista. Assunto esse que nos faz refletir sobre as atitudes e condições humanas.

Adams desmente a idéia principal do filme de Hollywood que fala que o riso seria o melhor remédio pra ajudar em tudo. Ele fala que ficou constrangido com o filme. Que trabalha pela paz e justiça. “Considero fascista o meu governo. Se não mudarmos de uma sociedade que venera dinheiro e poder para uma que venere compaixão e generosidade, não haverá esperança para a sobrevivência do ser humano neste século. Precisamos deter um sistema que, pela TV, estimula a concentração do dinheiro na mão de poucos. Então… Hollywood queria vender ingressos. Duas coisas vendem ingresso: violência e humor. Desse modo, preferiram enfatizar o meu esforço em abrir o único “hospital maluco” da história. Ignoraram o fato – falo de um país que se recusa a cuidar de 50 milhões de pessoas porque são pobres – de que luto pela medicina gratuita.”

Na entrevista Adams vive atacando o pensamento do sistema capitalista de acumulo de lucro, principalmente o da indústria farmacêutica. “A pior coisa na história: capitalismo. Vai extinguir a nossa raça, não há dúvidas. Outro modo… Dizem nos Estados Unidos: “Temos os remédios.” Certo, mas por que escolhemos receber de gente mentirosa preocupada com os lucros, horrorosa e indecente? Nos Estados Unidos, poderíamos abrir dez centros… dinheiro dos contribuintes. Dez centros, com os maiores cérebros em bioquímica, fisiologia, botânica, cujo trabalho é fazer ótimos remédios para as pessoas pelo custo mais baixo possível, sem lucro. Os remédios não custariam nada. Nunca nos dariam remédios enganosos. Mas ninguém pensa nisso. Por causa do capitalismo deixamos que eles façam o que quiserem conosco. Odeio o capitalismo. É a pior coisa que existe.”

Depois ele segue afirmando que os médicos só pensam em curar e querer a fama. Tornam-se arrogantes e não se preocupam em cuidar só em curar e curar. Fala que os médicos se tornaram frios, que a relação médico-paciente é desumana e não se dá de igual pra igual, o médico muitas vezes se acha superior.

Critica o Brasil por não cuida da Amazônia e se diz envergonhado de ser médico Americano já que os EUA não respeitam a humanidade. “Tenho vergonha de ser americano. Somos o país terrorista. Todos sabemos que não existem mais países. É a globalização. Não existem países. É uma ilusão…Tenho vergonha sim. O mundo todo teme o meu país. E as pessoas estão bravas com ele. Não sou esse tipo de gente. Quero condenar o meu país à prisão perpétua por assassinato em massa”.

De tudo o que foi discutido e falado, o grito principal de Adams foi contra  à saúde nos programas de saúde pública do mundo inteiro. “… A saúde pública não é um lar vibrante, um ambiente acolhedor para o amor das pessoas para proteger as pessoas que estão atendendo e proteger as pessoas que estão sendo atendidas. No projeto do nosso hospital, o primeiro conceito interessante é fazer um hospital fabuloso para o atendente e eliminar o esgotamento emocional e físico. Não nos preocuparíamos tanto com as doenças, ressaltando o aspecto de que focamos a saúde na negatividade de curar doenças”.

É… Infelizmente o mundo é capitalista e obcecado por dinheiro e domínio de mercados dos grandes e belos veículos de massa de comunicação. Isso foi o que Adams reforçou. O sistema é capitalista e isso não tem como ser mudado, mas acredito que se as pessoas pensarem só um pouquinho e passarem a ser menos egoístas e invejosas, com amor e amizade, se ajudando, pode demorar, mas o mundo pode mudar sim…

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