Bichinhos!

Totós abandonados =;-;= by Maju Raz

Quando eu era beeeeem pequena minha tia Marisol tinha um cachorro chamado Pinduca. Ele era uma mistura de Fox Paulistinha misturado com Vira. Eu me lembro pouco dele porque eu era muito criança. Ele era preto e era bem carinhoso. Morreu de velhinho. Acho que foi daí que comecei a gostar de animais.

Passado um tempo comecei a levar pombos mancos pra dentro de casa. Minha vó Julia gritava comigo: “Julinha do céu! Esse bicho tem doença! Pelo amor de Deus! Leva isso embora!” – Mas vó ele tá machucado coitado! Hehehehe, pois é, acho que minha vó tinha vontade de me matar coitada.

Eu fazia curativos nos pombos quando eles deixavam e depois os soltava achando que eles iam voltar a voar novamente ou se recuperar.  Fiz a mesma coisa com um gato que foi trucidado pelo motor de um carro. A única coisa de que eu judiava eram insetos. Eu adorava dar injeção nas bundas das formigas e besouros com um kit de experiência química que tinha ganhado do meu pai, e me divertia fazendo experiências com outros “insectos” como eu os chamava.  Mas eu sempre tinha dó das pombas. Ainda tenho tadinhas! Elas são pássaros que representam a paz, mas são vistas como sujas que trazem doenças e infelizmente trazem.

Quando eu tinha nove anos minha vó Maria me deu minha primeira cachorra a qual dei  o nome de Julie. Ela tá é uma poodle e tá com quatorze anos agora.

Eu sempre achei que ia ser veterinária, sempre ajudava as cachorras quando iam ter filhotes. Uma vez uma cachorra na minha vó teve dois filhotes e eles engoliram muito líquido da bolsa eu acho. Já era madrugada e minha vó não quis levar no veterinário. Um morreu bem rápido e outro eu tentei tirar o líquido dele enquanto ele chorava um choro meio rouco e se asfixiava. Aquela madrugada eu chorei pra caramba, os dois não resistiram e morreram. Aí eu pensava que por isso não podia ser veterinária, mas gostava muito de ajudar bichinhos.

Eu tô contando isso pra poder postar um texto que escrevi faz dois anos sobre um cão especial que passou na minha vida. O texto é um pouco velho e meio ruim porque vocês sabem que não escrevo lá essas coisas…

Aproveito pra falar da viagem que fiz esse fim de semana pra gravar um documentário sobre doação de sangue com minhas colegas Ingrid e Dayane. Viajamos até uma cidade aqui perto de Ribeirão Preto chamada Sales de Oliveira. A cidade é uma delícia e é muito fofa. Eu adorei esse negócio de ir gravar e fazer entrevista (apesar de não ter certeza sobre jornalismo até hoje nessa altura do campeonato) é muito engraçado como as pessoas de cidade pequena se comportam na frente de uma câmera. Aí chegando lá eu vi um monte de cachorro! Acho que uns sete ou oito todos na rua e abandonados. Abandonados mas felizes. Brincavam entre si e vinham chamar nossa atenção. Quando um chorou até deu vontade de levar pra casa…Deixo um vídeo dos cães brincando pra vocês verem =)

Nascer do sol em Sales de Oliveira by Maju Raz

Por isso quis fazer esse post. Fiz em homenagem aos animais que já se foram e cães abandonados… Tá eu sei que tá meio piegas isso, mas esses bichinhos me trazem muita alegria, principalmente meu cão Fred, minha côa Julie e minha Hamster Marocas ^-^

Fred e Marocas, Julie - meus fofitos

Segue um texto que sempre quis postar, mas nunca postei…

A andarilha e o cão

Parece até cenas de novela o que vou contar a você…

Estava eu lá na frente da minha casa, sentada no chão com meus cães, tomando um ar, com o portão meio aberto, quando surge correndo, do nada, uma andarilha que estava lá fora “morando” na casa vizinha ao lado (que está completamente abandonada pela dona que não toma providência nenhuma) e essa andarilha veio me chutando e berrando: “EU VOU ENTRAR AI E ROUBAR SUA CASA!”.

Saí correndo para dentro… O mundo à nossa volta parece estar de pernas para o ar…

Ah mas aí você me diz: nós evoluímos pelo menos não é mesmo? Será que evoluímos?

Diante desse todo avanço tecnológico, temos também, uma sociedade marcada pela violência e degradação do ser humano. Fome, desemprego, solidão, esquecimento, desespero, descasos da polícia e do Estado que na maioria das vezes não dá suporte a nada.

Bom, eu havia ido até cozinha tomar um copo de água para me acalmar quando ouço: CAIN CAIN CAIN! Rapidamente corri para ver o que estava acontecendo lá fora. A andarilha mordia um cachorro que havia encontrado pela rua, mordia e torcia a pata do pobre cão. Corri para cima dela e berrei: “LARGA ESSE CÃO!”. E ela nada. O bicho berrava, uivava e ela continuava mordendo-o e torcendo-o todo. Ela me olhava com um olhar desafiador, como quem chama alguém para brigar. Ah mas não deu outra, segurei, e em seguida puxei os cabelos da mulher e continuei gritando até ela soltar o cão, só soltou quando viu meu irmão e mais uns três garotos vindo para me ajudar. O cão correu mancando e se escondeu debaixo de um banco. Em seguida ela se distanciou e começou a berrar: “VOCÊ SE ACHA A BOAZUDA É? PEGA EU MENINA! TÁ SE ACHANDO NÉ NHÉNHÉ!”. Em seguida falou: “Eu tenho uma bunda grande”, baixou as calças e mostrou as ancas; em seguida arrancou a roupa de vez e ficou nua pulando na calçada. Todos da rua viram e resolveram chamar a polícia que veio e a levou.

Eu fiquei com dó de ter puxado o cabelo da coitada, que às vezes me parecia ter problemas mentais, às vezes parecia estar drogada. O Estado tem obrigação de dar um tratamento para as pessoas. Até tem um hospital psiquiátrico em Ribeirão-Preto, mas vejam, só pode ficar alguns dias lá e depois a família tem que ir buscar o paciente, agora eu pergunto: e quem não tem família?

O cão ficou lá sozinho e nenhuma carrocinha quis vir buscá-lo, ninguém quis adotá-lo e eu não podia trazê-lo para dentro de casa, pois já tenho cães e não sabia se aquele tinha alguma doença. Mas vê-lo ali, com um dos olhos meio esbugalhados, remelento, com patas doloridas e cheio de mordidas, me cortava o coração. Quem olharia por aquele cão? Quem olharia por aquela mulher? Dei comida ao cão, fiz carinho nele com um pano e dei água; ele estava lá abandonado e triste e eu queria trazê-lo junto a mim. Fiz uma cama para ele com papelão, jornal e uma cobertinha.

Entardeceu e fui dormir com um pouco de peso na consciência, pensativa, com dó do cão e da mulher. Na manhã seguinte quem volta? A mesma andarilha e dessa vez trazendo mais problemas, ameaçando pessoas com uma tesoura pontiaguda e enferrujada. O SAMU e a polícia vieram e a levaram novamente.

Antes da polícia a levar eu consegui falar com ela depois que tomou um copo de água e ficou mais calma. Ela me disse que tinha 44 anos e chamava-se Ângela. Sempre falava que não sabia de nada, não sabia por que estava ali, não sabia por que não voltava a morar com os pais e o filho, que só temia a Deus, porque ele castiga os que pecam. Não sabia de nada e dormia em meio a fezes e urina, não tomava banho e nem trocava de roupas. Isso é uma situação para um ser humano viver? Disse que só tinha a nós para ajudá-la e por isso havia mordido o cão, para ele gritar, a gente ouvir e ir conversar com ela. Eu engolia seco a cada lágrima derramada por ela. Na hora em que ela “desabafava” para mim eu nem pensava direito no que ela estava passando, mas depois as palavras, as mãos sujas, as lágrimas e o olhar dela ficaram latejando em minha alma. Essa mulher já não sabe mais o sentido da vida, é conformada.

O Estado é responsável pelo bem estar da população humana e animal e pela dignidade dos humanos. Claro que temos uma parcela de culpa em tudo também. Animais são vendidos igual água, as pessoas não têm consciência da responsabilidade e muitas vezes ou tratam mal seus animais ou doam. Como pode se doar um animal que você já comprou e ambos têm carinho um pelo outro? Ter algum animal é como ter alguém da família, exige carinho, atenção e responsabilidade. Como disse Antoine de Saint-Exupèry: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.

O cão ficou em casa e resolvi doá-lo, pois já tinha dois cães. Dei o nome a ele de Meninão, um cão muito doce e carente. Coloquei um anúncio nos classificados e muitos me ligavam, vinham vê-lo, mas não o levavam por causa do Glaucoma. Após alguns dias com o Meninão em casa, ele estava estranho e eu o levei ao veterinário. A veterinária fez exame de sangue e constatou Cinomose, uma doença muito ingrata causada por vírus que ataca somente a cães, ataca seus órgãos: rins, pulmões e, principalmente, o sistema nervoso. É uma doença de curso que varia, podendo o cão ser curado ou morto. Demos remédio e tentamos de tudo, mas dia dez de Setembro ele teve que ser sacrificado porque não agüentou, a doença atingiu sistema nervoso e aí só tinha a saída da eutanásia infelizmente.

“É inconcebível que o Criador tenha colocado seres tão diversos sobre a Terra, cada um tão admirável em seu meio, tão perfeito em seu papel, somente para permitir ao Homem, sua obra-prima, destruí-los para sempre. Anônimo”.  

Meninão e eu

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